sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Amar é difícil?

O ser humano é um animal racional e, portanto, compartilha vários fatores comuns a todos os animais (o instinto, por exemplo). Até aí, nenhuma novidade. Mas o que diferencia o homem de outros animais é a linguagem. A linguagem propicia pensar. E pensar propicia escolher.
Antes de qualquer outra coisa, amar é uma escolha, possibilitada pela faculdade de pensar e que, portanto, envolve decisão e compromisso. E mais, é uma decisão que deve ser renovada, senão corre-se o risco de cair na acomodação. Amar não é fácil porque exige, antes de tudo, sair da inércia, mudar a atitude, fazer uma escolha por se desacomodar, envolve trabalho, questionamento, inquietação, pensamento. Cristo veio nos ensinar um novo caminho, uma nova possibilidade, uma nova escolha: a do amor. E mais de 2000 anos depois, ainda quebramos a cabeça, tentando compreender as idéias do Cara.
Além disso, amar significa reconhecer-se no outro e reconhecer uma parte do outro em si mesmo. Envolve compreender a totalidade do outro, que o faz único, especial, do jeito que somente ele é. Então, quando escolhemos o caminho do amor, estamos mais propensos ao sofrimento também, compreendendo e reconhecendo o outro: surgem novas preocupações, novos desafios, somos convidados a pensar mais (e escolher mais também). Mas tudo vai depender de como encaramos esse "potencial" sofrimento: lidar com ele de um jeito ou de outro é, novamente, uma escolha pessoal; portanto sofrer ou não sofrer é, de forma geral, escolha pessoal também.
E aí é que vem o mais legal: a escolha pelo amor é um negocinho tão mágico (por favor, sem apologias ao uso de alucinógenos, tá?? Pela madrugada!) que, quanto mais a gente pratica, mais fácil fica. Quanto mais escolhemos amar, mais fácil, mais simples fica amar. E aí até o sofrimento ao qual estaríamos propensos fica mais tranqüilo, quando envolto no amor. Como disse Drummond: a dor é inevitável, o sofrimento é opcional.
Um mundo melhor só é possível a partir da escolha - e vivência - do amor. Tolerância, respeito, paz, união, solidariedade = tudo é, essencialmente, amor. E é por isso que uma revolução de verdade só pode começar por nós mesmos: em nossas próprias escolhas pelo amor.
Termino com Shemah!: amar vale (e muito) a pena.
Fechou.






Marina Kohlsdorf
nina@shemah.com.br